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Construtores

Autor: nayara | Data: 2/11/2009 | Categoria: Geral

O pequeno post de hoje é para justificar toda essa economia de gestos que anda rolando por aqui.

“É que em terra de TCC o tempo não existe.” acervo pessoal

Ok que esse é um blog de assuntos mais profissionais que pessoais, mas essa pessoalidade que invariavelmente carregamos nos permite falar, por algumas vezes, de certo pormenores acadêmicos que passamos.

Tanto eu como o Alexandre estamos na reta final de nossas graduações. Não que isso seja fato admirável ou louvável, mas para quem está do lado de cá é sempre marcante. Ainda mais por querermos fazer desse término um novo começo: transformar esse pequeno fim em uma sólida base (mesmo que modesta) para os passos que sonhamos dar.

Sim, tudo é sonho – material ingrato e sem valor de mercado, mais peça de colecionador do que outra coisa e que ainda assim insistimos em ter. São esses sonhos que nos fazem dar, além da dignidade, os fins de semana, as noites, os amigos, as risadas, os pequenos momentos, enfim, tudo o que tivermos para um “textinho mais ou menos” que entregamos ao orientador.

(Não sou pessimista como pareço, apenas reconheço as grandes limitações que um graduando tem, que o sistema de ensino tem e tudo mais. Produzimos sim coisas boas, mas é inegável que o tempo dá uma qualidade melhor as produções. Sair da universidade produzindo como gênio é para poucos, acreditem.)

Assim, tanto profissional quanto pessoalmente, somos construtores do vir a ser. Porque são essas pequenas entregas que vão fazer você voar e sonhar mais alto. Eu sei que feriado é legal, que aproveitar a balada é legal também. Sei de tudo isso e concordo. Mas não abriria mão dos meus sonhos por nada disso. Construo o que quero, de maneira mais sólida ou mais frágil; depende de como eu escolho as bases.

Mas, como sempre digo na brincadeira, escolher uma coisa significa deixar de escolher outra. Por conta desse esforço em direção ao vácuo (não se esqueça: nada garante o sucesso, nem o fracasso) podemos perder saúde, família, amigos, amores. A linha que separa um construtor de um obcecado é fina e quase imperceptível. As vezes, é melhor seguir com a máxima do fundão: o importante é saber, no seu tempo. O sete passa, assim como o dez.

Dessa forma, registro somente aquilo que me cabe enquanto experiência: o esforço que te engrandece nunca é demais. Os resultados podem ser pequenos, mas a medida não é feita em números, quantidade de páginas ou ainda notas. Aquilo que você constrói é o que te sustenta depois.

Boa sorte para todos que, assim como nós, tentam construir um grande sonho, incluindo aqui o famigerado TCC.

nayarac.

PS: a primeira referência é para um poema de Vinícius de Morais, chamado O haver. O verso com a expressão é o seguinte:

“Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.”

Leiam o texto todo, é belíssimo.



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